MINHA AVÓ FEZ COM QUE MEU MARIDO ME DEIXASSE NO NOSSO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO
Era nosso primeiro aniversário de casamento, e eu estava ansiosa para contar a Ben a grande novidade: eu estava grávida!
No entanto, ele não apareceu no restaurante. Dirigi-me para casa, na esperança de encontrá-lo lá, mas ele não estava. Foi então que encontrei um bilhete enigmático…

Depois de quase seis meses tentando, finalmente descobri que estava grávida. Assim que aquelas duas linhas cor-de-rosa apareceram, quis contar imediatamente ao meu marido.
Mas também quis esperar até estar em um momento seguro da gestação antes de dar a notícia.
— Dois meses ainda é cedo demais, Becca — disse minha amiga Tiffany.
— Mas entendo por que você quer que seja um presente especial de aniversário. Adorei a ideia!
— Só acho que é algo que ambos esperávamos há muito tempo — respondi.
— E este é um marco para nós como casal, então por que não acrescentar mais uma boa notícia?
Eu quase podia imaginar a expressão dele, os olhos brilhando de alegria, e ouvir sua risada seguida de um animado: “Vamos ser pais!”
Eu sei que toda a noite que planejei soava meio clichê, mas eu amava aquele romance clássico, cheio de significado e emoção.
Escolhi o restaurante da nossa recepção de casamento: um lugar pequeno, acolhedor, com luz suave e música tranquila, que fazia você se sentir dentro de um filme. Achei que tornaria o momento ainda mais perfeito.

Passei horas me arrumando, vestindo o mesmo vestido da recepção. Imaginei que Ben adoraria o gesto, já que ele também era sentimental como eu. Olhando-me no espelho, senti-me recém-casada novamente.
Cheguei cedo ao restaurante, claro — não conseguia me conter. Ansiosa demais, pedi um copo d’água e fiquei observando a porta, esperando que meu marido chegasse.
Mas Ben não apareceu. Verifiquei o celular — nenhuma mensagem.
Minutos se passaram, e a garçonete passou novamente, o sorriso se tornando cada vez mais preocupado.
— Tem certeza de que não quer nada? Posso trazer o cardápio de bebidas?
— Não, obrigada! E nada de álcool, estou grávida! — soltei, querendo contar a alguém a boa notícia.
— Parabéns! — disse ela. — Vou ficar de olho então.
Com o passar do tempo, minha empolgação se transformou em ansiedade. Liguei para Ben, mas caía direto na caixa postal.
“Talvez esteja preso no trânsito”, pensei. “Ou algo no trabalho deve ter surgido.”
Tentei me acalmar, mas cada minuto aumentava minha preocupação. O relógio na parede parecia zombar de mim. Trinta minutos.

Quarenta e cinco. Uma hora. Meu estômago roncava, mas não conseguia comer as batatas fritas e o pão de alho que havia pedido. Onde estaria Ben?
Eventualmente, chamei a garçonete, paguei a conta e corri para casa. Algo aconteceu?
Um acidente? E se ele estivesse ferido? Ou será que… Ben realmente estava me deixando?
— Pare, Becca — disse a mim mesma enquanto dirigia. Ben nunca me deixaria. Éramos felizes. Não éramos?
Ao chegar, a entrada estava vazia. As luzes apagadas. Olhei para a casa da minha avó do outro lado da rua, a sala iluminada pelo brilho da TV.
“Pelo menos alguém está em casa”, murmurei. Mexi nas chaves e abri a porta.
— Ben? Querido? — chamei. Nenhuma resposta. Vasculhei a casa; estava vazia, apenas um silêncio pesado.
Então percebi: o envelope branco na bancada da cozinha. Dentro, apenas uma linha:
“Sua avó me obrigou a fazer isso. Adeus para sempre, Becca.”
Li novamente. E novamente. Meu cérebro se recusava a compreender.
Como minha avó poderia ter qualquer relação com o desaparecimento do meu marido? Liguei para Ben outra vez. Caixa postal. De novo. Joguei o celular no chão, lágrimas nos olhos.

— Chega, Becca — disse a mim mesma, saindo apressada e indo para a casa da minha avó do outro lado da rua.
— O que você disse a Ben? — gritei quando ela abriu a porta. — Ele se foi e deixou um bilhete dizendo que você o obrigou!
Houve uma pausa do outro lado, e então ela suspirou, como se estivesse verdadeiramente desapontada comigo.
— Tive que fazer o que era melhor para você, Becca. Ben não é o homem certo para você. Você sempre soube disso no fundo.
— Do que você está falando? — exigi. — Ele é meu marido e estou grávida! Como pôde fazer isso?
— Oh, querida — disse ela, em tom condescendente. — Sempre quis que você ficasse com alguém mais adequado.
Alguém do seu nível. Alguém como Charlie.
O nome me deu náusea. Charlie era neto da melhor amiga da minha avó. Ela tentava me aproximar dele desde a adolescência.
Eu nunca tive interesse nesse garoto: arrogante, egoísta, definitivamente não era o homem que eu queria.
— Eu não me importo com o Charlie! Ele é horrível! — explodi. — Eu amo o Ben e quero ficar com ele. O que você disse a ele?
Minha avó olhou para mim intensamente. O único som era o da televisão, que ainda transmitia um game show.
— Eu disse a Ben que, se ele realmente te amasse, ele te deixaria e te daria a melhor chance na vida.

Caso contrário, arruinaria sua vida. E, se não fizesse… eu disse que você não teria herança.
Fiquei sem palavras. Uma senhora que eu amava de todo coração estava agora me traindo, chantageando meu marido para que ele me deixasse.
— Por que fez isso? — perguntei, sentindo-me fraca.
— Porque eu te adoro, Becca — disse ela. — E quero o melhor para você. Um dia entenderá.
— Não acho que algum dia vou entender. E não vou perdoar. Eu te odeio — falei, saindo correndo da casa dela.
Voltei para minha casa e desabei no chão, deixando as lágrimas me dominarem. As horas seguintes passaram em um borrão.
Liguei para Ben repetidamente, rezando para que atendesse. Enviei mensagens, implorando para que voltasse ou dissesse onde estava. Mas nada. Ele simplesmente desapareceu.

Então a realidade me atingiu: eu estava grávida e sozinha. Meu marido havia sumido.
Era como viver uma piada cruel, e eu não fazia ideia de como consertar.
Entrei na cama prometendo a mim mesma que tudo ficaria bem de manhã.
Que Ben estaria de volta. Talvez ainda houvesse uma chance.
Mas, deitada, olhando para o teto, um pensamento não saía da minha cabeça: e se Ben não quisesse ser encontrado?
