Durante nossa lua de mel, acordei no meio da noite e encontrei meu marido de costas para mim, segurando cuidadosamente uma pequena caixa de madeira, como se fosse algo muito precioso. Ele disse que nela estavam guardadas as cinzas de sua ex-namorada falecida.
Quando ele foi tomar banho, a curiosidade me venceu e abri a caixa — e o que encontrei lá dentro me fez arrumar minhas malas e pedir o divórcio antes do amanhecer.
Naquela noite, acordei e percebi que o lado da cama de Ryan estava vazio.

A luz da lua cortava o quarto escuro do hotel. Ele estava sentado, de costas para mim, curvado sobre algo pequeno e de madeira em seus braços.
No início, pensei que fosse uma Bíblia. Depois percebi — era uma caixa. E ele estava sussurrando para ela.
“Ryan?”, chamei.
Ele congelou. Então se virou, pálido. “É ela”, murmurou. “Claire. Minha ex.
Aquela que morreu. Eu trouxe as cinzas dela. Não consegui deixá-la para trás.”
Estávamos casados há apenas três dias. Forcei um sorriso. “Tudo bem.”
Quando ele finalmente adormeceu, não consegui parar de olhar para aquela caixa.
Pela manhã, quando ele foi tomar banho, a curiosidade falou mais alto. Eu a abri.
Não havia cinzas — apenas cartas, uma foto de uma mulher loira e um pen drive com o rótulo: “Não mostrar a ela.”
Conectei-o ao notebook. Claire apareceu na tela — viva. “Se você está assistindo a isto,” disse ela, “então Ryan fez de novo. Ele é perigoso.”
Ela alertava sobre como ele isolava, manipulava, gravava tudo — e como ela mal havia conseguido escapar.

A porta do banheiro se abriu. Fechei o notebook rapidamente, bem quando Ryan saiu, sorrindo.
“Acordou cedo?”, perguntou.
“Sim,” respondi, tentando parecer calma.
O sorriso dele se alargou. “Ótimo. Vamos dirigir pela costa hoje. Sem telefones. Só nós dois.”
E naquele instante, eu soube — eu precisava sair dali.
Fingi ajustar minha mala, mas quando Ryan se virou, vi outro pen drive na mesinha de cabeceira — sem etiqueta.
Depois que ele saiu para o café da manhã, conectei-o.
Não era um vídeo desta vez, mas uma pasta cheia de fotos — dezenas de mulheres. Ryan com elas. Algumas sorrindo, outras não.
O último arquivo dizia: Claire_Final.jpg.
Meu estômago se revirou. Aquela caixa que ele segurava não guardava cinzas — era um cofre de evidências. Troféus.
Arrumei minhas coisas o mais rápido que pude. Quando alcancei a porta, meu celular vibrou:
“Para onde você está indo, querida? Você não devia ter aberto a caixa.”
Ele sabia. Corri — desci as escadas, atravessei o saguão e pedi desesperada a um funcionário que chamasse a polícia.

Logo estava em um táxi, com as mãos tremendo, comprando a primeira passagem de volta para casa.
Quando o avião pousou, a polícia já havia revistado o hotel. A caixa e os pen drives haviam desaparecido. Assim como Ryan.
Dois dias depois, encontraram o carro dele perto de um penhasco — as marcas dos pneus terminavam na beira.
Chamaram de acidente.
Mas às vezes, à noite, ainda sinto o braço dele me envolvendo.
E ouço a voz de Claire sussurrando na escuridão:
“Ele fez de novo.”
