Dos três irmãos bonitos, ela escolheu aquele que usava máscara. Durante a lua de mel, ele a retirou, deixando-a sem palavras.

Dos três irmãos bonitos, ela escolheu aquele que usava máscara. Durante a lua de mel, ele a retirou, deixando-a sem palavras.

O ultimato chegou carregado do aroma de incenso caro e do gosto amargo da derrota.

No quarto principal da mansão em Lomas de Chapultepec, o cheiro de antisséptico pairava no ar, mas não conseguia sobrepujar o perfume do sândalo queimando.

Amira Salgado permaneceu ereta, segurando uma pasta de couro contra o peito como se fosse um escudo.

Diante dela, seu pai — Don Hasan Salgado, homem que erguia torres e comprava lealdades com uma assinatura — parecia reduzido a uma sombra entre lençóis de seda.

— Assine a fusão, Amira… antes do amanhecer — raspou ele.

— Posso lutar nos tribunais — respondeu ela, fria. — Tenho advogados em Londres, em Nova York.

Ele soltou um som seco e cortante. — O tempo dos tribunais acabou. Você precisa de um nome… e de um anel.

O governo espera meu último suspiro para tomar tudo. Sem um herdeiro masculino, devorarão tudo o que construí.

O ar-condicionado gelado lhe arrepiou o pescoço. Não era uma negociação. Era uma execução marcada.

— Não sou um ativo a ser liquidado.

— Você é minha herdeira — disse ele, olhos nublados, mas desesperados. — Herdeiros não desfrutam de luxo.

Eles sobrevivem. A família Alsaba oferece três filhos. Escolha hoje à noite — ou amanhã não terá teto nem herança.

— Três? — perguntou ela, já antecipando a resposta.

— Khalil, Amar ou Zafir — disse ele, exausto. — O pavão, o glutão ou o monstro. Apenas… mantenha o sol nascendo sobre nossas torres.

No salão do hotel Seven Stars, os lustres brilhavam, espalhando reflexos sobre sorrisos cintilantes.

Amira desceu vestida com um caftan de seda azul meia-noite, sua própria armadura silenciosa. Os três irmãos Alsaba a esperavam como peças de um tabuleiro.

Khalil, perfeito e vaidoso, beijou sua mão. — Amira… a lua empalidece diante de você — disse, conferindo as câmeras, flashes e o espetáculo.

— Nosso capital combinado — Grécia, as manchetes, o casal dourado.

Amar, com seu sorriso arrogante de jovem rico, cutucou-a. — Esqueça a Grécia.

Comigo, você só precisa permanecer bonita. Eu cuido do dinheiro. Você cuida da aparência.

Amira sorriu educadamente, sentindo-se presa. Escapuliu para o terraço do jardim de inverno.

— Fugindo do seu próprio leilão? — disse uma voz nas sombras, debaixo de uma palmeira.

Um homem de preto emergiu, rosto coberto por uma fenda estreita de pashmina — Zafir.

— Zafir? — sussurrou. Diziam que ele havia sobrevivido a um acidente de avião, amaldiçoado, marcado, monstruoso.

— Seus irmãos te veem como um cofre — disse ele. — Querem seu pai morto e você domada.

Eu vejo uma mulher calculando o preço de sua alma. Você não precisa de um marido. Precisa de um parceiro.

Antes que pudesse responder, a voz de Khalil a chamou do terraço, puxando-a de volta à luz, ao espetáculo, ao cartório.

No salão cerimonial, flashes estouravam, a multidão aguardava. Khalil e Amar a flanqueavam como pavões vitoriosos. O juiz perguntou qual união ela escolhia.

Seus olhos encontraram Zafir — escuro, silencioso, verdadeiro.

— Escolho o único homem que disse a verdade — declarou.

— Escolho Zafir Alsaba.

Taças se quebraram. A fúria de Khalil apertou sua mandíbula.

— Pelo menos ele não tentou me comprar com meu próprio dinheiro — disse Amira. Assinou. Um traço decisivo. O contrato selado.

A herdeira havia escolhido a escuridão. Mas Amira ainda não sabia a verdade: a máscara de Zafir não escondia um monstro — escondia algo muito mais perigoso.

Na limusine blindada, o silêncio pesava. Zafir não falou, não celebrou — apenas existia, carregando o peso da escolha dela.

No antigo anexo do palácio Alsaba, sombras se agarravam a arcos mouriscos. A suíte nupcial se erguia como um palco cerimonial.

Amira esperava um rugido, uma ameaça — mas Zafir se aproximou com calma, retirando o manto para revelar força, não deformidade.

— Está tremendo? — perguntou.

— Estou esperando — disse ela, preparando-se. — Disseram que me casei com um monstro. Estou esperando pelos dentes.

Ele se aproximou, mão pairando perto da bochecha dela, depois recuou.

— Você escolheu aquele que nunca te vendeu uma fantasia. A escuridão é mais honesta.

Prometeu-lhe proteção, seu nome, sua espada — mas não seu corpo nem rosto. — Durma. Amanhã começa a guerra.

A guerra começou com tinta, não armas. Jornais sussurravam veneno: “A Bela e o Monstro”, “Herdeira se casa com assassino”.

Khalil usava-a em reuniões para exibir piedade. Amira suportou uma semana antes de confrontar Zafir.

Ela exigiu a verdade. Ele a levou para longe do luxo, a um prédio modesto onde crianças corriam até ele — não com medo, mas com alegria. Órfãos, famintos e marcados, se agarravam a ele.

Amira percebeu: ele escondia o rosto não para ocultar o mal, mas a bondade. Nesse mundo, a gentileza era fraqueza, a beleza, uma arma.

Mais tarde, ela o viu treinar com espada curva no deserto antes do amanhecer — suor, força, precisão. Sem cicatrizes, sem deformidade.

Apenas poder bruto, assustadoramente belo.

Quando uma tempestade de areia os atacou, ele a protegeu, ferido, e ela cuidou de suas lesões.

Pela primeira vez, viu seus olhos completos — dourados, âmbar, ferozes e ternos.

— Se me levar… não haverá volta — sussurrou ele.

— Não quero voltar — disse ela.

O beijo quase aconteceu — mas a realidade invadiu: helicóptero, guardas, bandeiras a meio-mastro. Khalil e Amar os receberam com luto encenado.

— Seu pai morreu esta noite — anunciou Amar. Khalil completou, venenoso: — E seu marido será preso por fraude e conspiração.

Zafir, calmo, foi levado para a escuridão. Amira percebeu: sua escolha não era apenas perigosa — era correta.

Agora, ela lutaria não por torres ou riqueza… mas pelo homem que se escondia, não da vergonha, mas para se proteger de um mundo que o devoraria.

O sol ainda não havia nascido. A guerra de Amira estava apenas começando.