As pessoas notaram que o cachorro não se afastava da sepultura e até recusava comida: todos ficaram chocados ao descobrir o verdadeiro motivo por trás de seu comportamento.
Certo dia, perto do pôr do sol, uma mulher chegou ao cemitério. Cansada, com os olhos marcados pela dor. Era uma viúva.
Não estivera ali no dia do funeral — a perda era intensa demais. Mas, agora, sentiu que precisava vir. Algo a atraía.

E então ela o viu.
O cachorro estava sentado, imóvel, como se fosse esculpido em pedra. Não se mexia, não reagia. Só quando ela murmurou:
— Hector?
Ele mexeu levemente uma orelha.
Ela se aproximou, agachou-se e olhou em seus olhos — e tudo fez sentido.
Ele não comia, não bebia, não se movia… não por tristeza, mas porque esperava. Esperava uma ordem.
O dono sempre fora rígido com Hector: primeiro a ordem, depois a ação. Comer apenas com permissão.
Levantar-se ou ir embora somente se autorizado.

E agora… o cachorro simplesmente não sabia o que fazer.
Pois a pessoa que ele amava não podia mais falar.
O coração da viúva apertou. Lágrimas escorreram inesperadamente. Ela sussurrou:
— Hector… meu querido… está tudo bem agora. Você está livre.
Ela estendeu a mão, como o marido costumava fazer, e, com a voz trêmula, disse:
— Hector, venha até mim.

O cachorro piscou, como se despertasse de um sonho. Cambaleou, levantou-se. Lentamente, deu um passo.
Depois outro. Aproximou-se da viúva e apoiou a cabeça em seu colo.
Mas, no dia seguinte, ele se foi.
Encontraram Hector de manhã — deitado aos pés da mesma sepultura, com as patas cruzadas, como se estivesse dormindo.
