Uma cadela com seus filhotes busca abrigo ao lado de uma estátua serena.
A chuva caía desde o amanhecer — fina e persistente — encharcando o parque vazio.
Os caminhos brilhavam sob o céu cinzento, os bancos estavam abandonados e apenas a pequena estátua de pedra no centro parecia realmente presente.

Uma figura encapuzada com as mãos abertas, muitas vezes ignorada por quem passava.
Mas naquele dia, era diferente. Uma cadela de rua aproximou-se primeiro. O seu pelo gasto estava molhado e ralo, colado ao corpo.
Atrás dela vinham quatro filhotes pequenos, cambaleando de fome e fraqueza. Ela parou ao pé da estátua, farejando o chão, circulando-a como se procurasse algo perdido há muito tempo.
Os filhotes juntaram-se a ela, tremendo de frio.
Depois de alguns segundos, a cadela ergueu-se nas patas traseiras e encostou o focinho à mão estendida da estátua.

Estremeceu — não apenas pelo frio, mas por algo mais profundo, como se estivesse a perguntar… ou a lembrar.
Ela nunca estivera sempre sozinha. Um dia, pertenceu a um menino que a levava exatamente àquele parque.
Ele ficava junto daquela mesma estátua, murmurando palavras baixas, com a mão pousada na pedra.
A cadela nunca compreendeu totalmente — apenas esperava. Até ao dia em que o menino nunca mais voltou.
A lembrança atravessou-a como um sopro. Ela inclinou-se mais um pouco, escorregando levemente na pedra molhada. Um dos filhotes soltou um pequeno ganido.
Então algo mudou. A chuva não parou, a estátua não se mexeu, mas o ambiente pareceu diferente — mais leve, mais calmo.
A cadela ficou imóvel, sentindo uma estranha familiaridade que a acalmava por dentro. Segurança.

Devagar, voltou a descer. Os filhotes encostaram-se a ela e ela lambeu-os com cuidado, já mais tranquila.
O mais pequeno aproximou-se da estátua, cheirou-a e sentou-se, como se entendesse algo além do instinto.
O tempo passou. A chuva enfraqueceu. Passos ao longe aproximaram-se.
Uma pessoa com guarda-chuva surgiu e parou ao ver a cena. Aproximou-se, agachou-se e deixou um pequeno recipiente com comida no chão.
Os filhotes correram imediatamente. A cadela hesitou, olhando mais uma vez para a estátua. Ela permanecia igual — mãos abertas, silenciosa.
Mas já não parecia vazia. Por fim, a cadela deu um passo à frente.
E, pela primeira vez em muito tempo, permitiu-se acreditar na esperança.
